segunda-feira, 23 de maio de 2016

Efemeridade do tempo...

Foto de Júlia Tigeleiro

Foto de Júlia Tigeleiro

Foto de Júlia Tigeleiro

Foto de Júlia Tigeleiro


Fiquei aqui sozinha
a sentir o ser solitário
em que me transformei...

Fiquei aqui vaga
nos meus pensamentos
entre sonhos e recordações
do que foi...

Fiquei aqui à espera
que o vento me levasse
até aos teus braços
entre flores, sorrisos
e alegrias...

Fiquei perdida no tempo
ou foi o tempo
que de mim se perdeu
já nem sei bem...

Fiquei para trás
meu amor
convicta que o tempo
jamais apagará
o nosso tempo...
JC

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Colorir



Adoro
colorir desenhos

e desejos para amanhã

para o dia a seguir

e para outro que ainda 

há-se vir.


Trago sempre
novos lápis comigo
para colorir amizades
que são flores
no meu caminho
e uma borracha
para apagar inimizades.


Procuro fundir
os mais secretos sonhos
e desejos
nas silhuetas
que com eles pinto.


E assim
continuar a tentar
encontrar o meu caminho
por esses lugares
onde me perco.
e de novo me encontro.


Eles
são o espelho
que reflete
as minhas memórias
na forma
e no tempo.


Com eles
pintarei uma pobre ave
que voou de terras
longínquas
já cansada e envelhecida
e pousou
no único lugar
que ainda não conhecia
o meu coração.


vou pintar o arco-íris
em dias cinzentos
de todas as cores 
que tem em si
com toda a sua luz
e magia.


De vermelho, laranja
amarelo e verde
as sombras de viagens
que já fiz
e que ainda sonho fazer.


De safira
um sorriso
sempre luminoso e azulão
brilhante. e quente
num dia de luz
e de cores de verão.


De rubi
porque é a pedra
e a cor do amor
uma boca linda e amada
que trará baton
para colorir
cada beijo TEU.


E se
a noite chegar
pintarei a lua, as estrelas
e o luar
porque em ti
sem pudor anoiteci
e  nos braços adormeci.


Por último
retocarei a vida
apenas porque há muito
ela já foi pintada.


E como para tudo
há uma solução
ela tem que ser vivida
de tal forma
que  cada instante
e a cada fraqueza
um retoque colorido
A FORTALEÇA!!!
JT






terça-feira, 10 de maio de 2016

NEGUEI-TE...


Às vezes, nos momentos trágicos, já não é contigo que eu deparo - é com outro ser que assiste sempre, como um espectador, a todos os meus exageros. Deitas-te comigo, levantas-te comigo, ferrada como um punhal - e não existes. Neguei-te. Expliquei-te. Reduzi-te às tuas verdadeiras proporções - e tu não existias! Atormentaste-me e fizeste-me sofrer mesmo quando já compreendera que não existias. E agora mesmo, quando o universo é outro universo, ainda encarniças sobre mim como um fantasma.
Escusas de te rir - tu não existes.

Raúl Brandão