sexta-feira, 19 de maio de 2017

o silêncio que procuro...

Foto Júlia Tigeleiro


Há um momento na vida, a partir do qual a alma clama por silêncio!!! Talvez a isso se chame maturidade, mas prefiro achar que a isso se chama necessidade...!!!



terça-feira, 16 de maio de 2017

A paz sem vencedores e sem vencidos...

Foto Júlia Tigeleiro



Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedores e sem vencidos
Que o tempo que nos deste seja um novo
Recomeço de esperança e de justiça
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos


A paz sem vencedores e sem vencidos

Erguei o nosso ser à transparência
Para podermos ler melhor a vida
Para entendermos vosso mandamento
Para que venha a nós o vosso reino
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedores e sem vencidos

Sophia de Mello Breyner Andresen, in " Dual"



...a paz que tantas vezes procuro dentro de mim e muito poucas vezes encontro...

sexta-feira, 5 de maio de 2017

quinta-feira, 4 de maio de 2017

que os teus dedos me perdoem as palavras...

Foto Júlia Tigeleiro

Que os teus dedos me perdoem as palavras.
Que os teus olhos me perdoem o silêncio.
A fuga não é um ato premeditado.
No mergulho não existe oxigénio suficiente.
Unicamente uma desordem de músculos
que sustentam a ansiedade.
Ficarei só com o meu dilúvio.

in " Vem Adormecer o Dia" de " Francisco"




"A fuga não é um ato premeditado.", mas sim a única forma de seguir em frente...

terça-feira, 2 de maio de 2017

esperar não é pedir muito

Foto Júlia Tigeleiro


ando à espera que me digam de que lado
virá o último pássaro a que darei sustento.

a minha borboleta já cá está há muito tempo.
chegou com o vento da noite
e trouxe-me um nome de árvore.

esperar não é pedir muito,
nem obriga mão alguma
a dar lisura de afago
ao frio que rasga a face.

se alguém souber cantar, não se acanhe.
eu gosto de ouvir, em voz, o que o silêncio conhece.

esperer não é pedir muito, eu já disse:
a solidão contenta-se com pão e água.

Emanuel Jorge Botelho


quinta-feira, 27 de abril de 2017

A idade é isto...

Foto Júlia Tigeleiro






Esse que em mim envelhece
assomou ao espelho
a tentar mostrar que sou eu.

Os outros de mim,
fingindo desconhecer a imagem,
deixaram-me a sós, perplexo,
com o meu súbito reflexo.

A idade é isto: o peso da luz
com que nos vemos.


mia couto

sexta-feira, 21 de abril de 2017

mas tu vieste...

Foto Júlia Tigeleiro



De onde chegaram estas palavras?

Nunca houve palavras para gritar a tua ausência

Apenas o coração
Pulsando a solidão antes de ti
Quando o teu rosto dóia no meu rosto
E eu descobri as minhas mãos sem as tuas
E os teus olhos não eram mais
que um lugar escondido onde a primavera
refaz o seu vestido de corolas.


E não havia um nome para a tua ausência

Mas tu vieste.

Do coração da noite?
Dos braços da manhã?
Dos bosques do Outono?

Tu vieste.
E acordaste todas as horas.
Preenches todos os minutos.
acendes todas as fogueiras
escreves todas as palavras.


Um canto de alegria desprende-se dos meus dedos
quando toco o teu corpo e habito em ti
e a noite não existe
porque as nossas bocas acendem na madrugada
uma aurora de beijos.


Oh, meu amor,
doem-me os braços de te abraçar,
trago as mãos acesas,
a boca desfeita
e a solidão acorda em mim um grito de silêncio quando
o medo de perder-te é um corcel que pisa os meus cabelos
e se perde depois numa estrada deserta
por onde caminhas nua.

Joaquim Pessoa