quarta-feira, 20 de junho de 2018

o luar é suave...

Foto Júlia Tigeleiro


"Não fales.
Seria redundante.
Toda a gente sabe que o luar é suave e redondo como uma barriga grávida de amor."


 cores e outros amores - blogue

quinta-feira, 14 de junho de 2018

coisas simples...

Foto Júlia Tigeleiro


Escondo-me atrás de coisas simples,
para que me encontres.
Se não me encontrares, encontrarás as coisas,
tocarás o que a minha mão já tocou,
os traços juntar-se-ão de nossas mãos,
uma na outra.

excerto de poema de Yannis Ritsos, trad de Eugénio de Andrade


segunda-feira, 11 de junho de 2018

o espelho da nossa triste transparência...

Foto Júlia Tigeleiro



Explicar com palavras deste mundo
que partiu de mim um barco levando-me

como um poema ciente
do silêncio das coisas
falas para não me ver

ficas longe dos nomes
que tecem o silêncio das coisas

para lá de qualquer zona proibida
há um espelho para a nossa triste transparência.

Alejandra Pizarnik











quinta-feira, 7 de junho de 2018

as rosas selvagens...

Foto Júlia Tigeleiro

Como as rosas selvagens, que nascem
em qualquer canto, o amor também pode nascer
de onde menos esperamos. O seu campo
é infinito: alma e corpo. E, para além deles,
o mundo das sensações, onde se entra sem
 bater à porta, como se esta porta estivesse sempre 
aberta para quem quiser entrar.

Tu, que me ensinaste o que é o 
amor, colheste essas rosas selvagens: a sua
púrpura brilha no teu rosto. O seu perfume
corre-te pelo peito, derrama-se no estuário
do ventre, sobe até aos cabelos que se soltam
por entre a brisa dos murmúrios. Roubo aos teus
lábios as suas pétalas.

E se essas rosas não murcham, com
o tempo, é porque o amor as alimenta.

Nuno Judice





sexta-feira, 1 de junho de 2018

segunda-feira, 28 de maio de 2018

pelos vãos, brechas e fendas...

Foto Júlia Tgeleiro

Não deixes portas entreabertas
escancara-as
ou bate-as de vez.
Pelos vãos, brechas e fendas
passam apenas semiventos,
meias verdades
e muita insensatez.

Cecília Meireles


quarta-feira, 23 de maio de 2018

onde amanhece...



Mas levo comigo tudo
o que recuso.
Sinto colar-se-me às costas
um resto de noite;
e não sei voltar-me
para a frente, onde amanhece.

Nuno Júdice