quinta-feira, 7 de junho de 2018

as rosas selvagens...

Foto Júlia Tigeleiro

Como as rosas selvagens, que nascem
em qualquer canto, o amor também pode nascer
de onde menos esperamos. O seu campo
é infinito: alma e corpo. E, para além deles,
o mundo das sensações, onde se entra sem
 bater à porta, como se esta porta estivesse sempre 
aberta para quem quiser entrar.

Tu, que me ensinaste o que é o 
amor, colheste essas rosas selvagens: a sua
púrpura brilha no teu rosto. O seu perfume
corre-te pelo peito, derrama-se no estuário
do ventre, sobe até aos cabelos que se soltam
por entre a brisa dos murmúrios. Roubo aos teus
lábios as suas pétalas.

E se essas rosas não murcham, com
o tempo, é porque o amor as alimenta.

Nuno Judice





4 comentários:

  1. A experiência obstinada da linguagem pelas mãos de Nuno Iudice, e a do seu olhar capturando rosas silvestres.
    É a magia deste encontro.
    Abraços, Julia!

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  2. Nuno Júdice, o poeta dos afagos e dos sentidos, impregnando-nos neste poema, num aroma de sensualidade subtil. Um pouco de sensualidade, nunca fez a ninguém :). Um abraco e obrigada pelo belo comentário, que muito apreciei.

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  3. Um grande poema de um grande poeta.
    Obrigado pela partilha.
    Bom fim de semana, amiga Júlia.
    Beijo.

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