terça-feira, 5 de dezembro de 2017

as mãos pressentem...

Foto Júlia Tigeleiro


As mãos pressentem a leveza rubra do lume
repetem gestos semelhantes a corolas de flores
voos de pássaro ferido no marulho da alba
ou ficam assim azuis
queimadas pela secura idade desta luz
encalhada como um barco nos confins do olhar

ergues de novo as cansadas e sábias mãos
tocas o vazio de muitos dias sem desejo e
o amargo húmido das noites e tanta ignorância
tanto ouro sonhado sobre a pele tanta treva
quase nada


al berto


2 comentários:

  1. Delicadas leves e
    ainda assim pressentem
    na pele o sensível
    do vítreo
    o canto eterno
    o florir amado
    Por trás do olhar

    Há poesia nesse olhar
    Há ver há ler há suspensão
    Superação...
    Ausência do tempo

    Bj.

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  2. "Ausência do tempo"...porque o olhar o congelou...!

    Bj

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