terça-feira, 2 de maio de 2017

esperar não é pedir muito

Foto Júlia Tigeleiro


ando à espera que me digam de que lado
virá o último pássaro a que darei sustento.

a minha borboleta já cá está há muito tempo.
chegou com o vento da noite
e trouxe-me um nome de árvore.

esperar não é pedir muito,
nem obriga mão alguma
a dar lisura de afago
ao frio que rasga a face.

se alguém souber cantar, não se acanhe.
eu gosto de ouvir, em voz, o que o silêncio conhece.

esperer não é pedir muito, eu já disse:
a solidão contenta-se com pão e água.

Emanuel Jorge Botelho


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