quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

espero-te aqui...

Foto Júlia Tigeleiro







Levamos a vida a afastar da morte quem amamos.
Mas somos quase sempre derrotados, porque os 
gestos que afastam já estão carregados de morte.


O que há em mim que não quer? Todos os meus
caminhos não quiseram. Nem desvios foram. De
um momento para o outro, chega-se. Ao lugar
onde cada passo tem a decisão de uma queda.
Escorpiões vão de duna em duna. Por um engano.


Hoje, não consigo recompor o teu rosto, e se
nitidamente te imagino, não és bem tu mas uma
qualquer fotografia tua. Hoje, a tua fotografia
apropriou-se de ti: deve ser assim que se começa
a morrer. Quando à nossa volta um corpo 
desaparece nos sinais da sua passagem.

Rui Nunes, Armadilha




...Espero-te aqui, onde a lua se perdeu dos astros, e o mar se esqueceu de partir...

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