segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

o silêncio...

Foto Júlia Tigeleiro


Caí no silêncio há vários dias. Quero falar-te das horas incandescentes que antecedem a noite e não sei como fazê-lo. Às vezes penso que vou encontrar-te na rua mais improvável, que nos sentamos diante do rio e ficamos a trocar pedaços de coisas subitamente importantes: a solidão, por exemplo. Mas depois, virando a esquina, todas as esquinas de todos os dias, esperam-me apenas aves que ninguém sabe de onde partiram.

Vasco Gato










4 comentários:

  1. Respostas
    1. Eu adoro aves e sempre que as encontro não perco a oportunidade de as registar para mais tarde admirar e amar. Esta foi uma das felizes oportunidades que tive de esperar quietinha no meu esconderijo que esta belezas se reunissem numa manhã muito fria, mas cheia de sol.

      Um beijinho Luiza.

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  2. Belíssimo texto.
    Obrigado pela partilha, gostei imenso.
    Júlia, tem uma boa semana.
    Beijo.

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  3. Uma belíssima fotografia que mostra um momento raro. E raramente gozamos... pelos hábitos por que optámos. É um texto de belo efeito poético.

    Um momento mágico
    um encontro fugidio
    enquanto um se faz
    a outra se desfaz

    Na alvorada não há linhas
    para coser as esquinas
    libertas as penas voam
    e na mão ainda palpitam

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