quarta-feira, 14 de junho de 2017

ainda que os meus labirintos te confundam...

Foto Júlia Tigeleiro


Deixa-me amar-te em meus silêncios
Na calmaria do teu coração que me acolhe
E onde se desprendem meus sonhos
Em vôos etéreos de plena liberdade


Deixa-me amar-te em minha solidão
Ainda que os meus labirintos te confundam
E que teus fios generosos de compreensão
Emaranhem-se no tapete dos meus enigmas



Deixa-me amar-te sem qualquer explicação
Na ternura das tuas mãos que me sorriem
Escrevendo desejos em versos despidos
Na minha alva tez que cobre e descobre


Deixa-me amar-te em meus segredos
Para que desvendes o que também desconheço
A alma dos meus abismos onde anoiteço
E meus olhos adormecem pelo mistério



Deixa-me amar-te em tuas demoras, longas horas
Em que meu corpo se veste de céu à tua espera
E minhas mãos em frenesim acendem estrelas
Para alumiar-te, ainda que ausente estejas...



Fernanda Guimarães

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