sexta-feira, 21 de abril de 2017

mas tu vieste...

Foto Júlia Tigeleiro



De onde chegaram estas palavras?

Nunca houve palavras para gritar a tua ausência

Apenas o coração
Pulsando a solidão antes de ti
Quando o teu rosto dóia no meu rosto
E eu descobri as minhas mãos sem as tuas
E os teus olhos não eram mais
que um lugar escondido onde a primavera
refaz o seu vestido de corolas.


E não havia um nome para a tua ausência

Mas tu vieste.

Do coração da noite?
Dos braços da manhã?
Dos bosques do Outono?

Tu vieste.
E acordaste todas as horas.
Preenches todos os minutos.
acendes todas as fogueiras
escreves todas as palavras.


Um canto de alegria desprende-se dos meus dedos
quando toco o teu corpo e habito em ti
e a noite não existe
porque as nossas bocas acendem na madrugada
uma aurora de beijos.


Oh, meu amor,
doem-me os braços de te abraçar,
trago as mãos acesas,
a boca desfeita
e a solidão acorda em mim um grito de silêncio quando
o medo de perder-te é um corcel que pisa os meus cabelos
e se perde depois numa estrada deserta
por onde caminhas nua.

Joaquim Pessoa

1 comentário:

  1. Revoadas acendem o céu quando o amor nos aparece de repente. Essa fotografia é demais Julia!

    Um beijo!

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