terça-feira, 10 de maio de 2016

NEGUEI-TE...


Às vezes, nos momentos trágicos, já não é contigo que eu deparo - é com outro ser que assiste sempre, como um espectador, a todos os meus exageros. Deitas-te comigo, levantas-te comigo, ferrada como um punhal - e não existes. Neguei-te. Expliquei-te. Reduzi-te às tuas verdadeiras proporções - e tu não existias! Atormentaste-me e fizeste-me sofrer mesmo quando já compreendera que não existias. E agora mesmo, quando o universo é outro universo, ainda encarniças sobre mim como um fantasma.
Escusas de te rir - tu não existes.

Raúl Brandão


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