quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Não basta querer voar...

Infelizes daqueles que pensam que podem voar como pássaros



Olhai os pássaros,esses seres celestiais que me encantam e  fascinam.Invejo-os por circularem livremente nesses céus, sem amarras ou grilhões, que os aprisionem a alguma coisa ou a alguém. São sem dúvida a mais pura manifestação de liberdade que conheço. Eles  pousam, levantam voo, passam e  esquecem…!!!
 
Foto de Júlia Tigeleiro

“Acreditava que voavam os pássaros
como voam as tuas mão nas janelas do meu peito
fingia-me de morto
apenas para perceber a cor das tuas lágrimas
acreditava que voavam as flores
como voavam os teus lábios nos meus lábios
acreditar
acreditando que as noites são pedacinhos de pano
com beijos em papel…
acreditava que voavam os teus seios
nas minhas mãos de silabas adormecidas
eu, eu acreditava


acreditando
(…)
acreditava que dormias de pé e te enrolavas no cacimbo
acreditava que voavam os pássaros
como voavam as tuas coxas sobre o trapézio da madrugada…


acreditar, eu acreditava
mas não te amo como amo os pássaros
acreditava que voando como os pássaros
eu poderia voar como o amor sobre o mar ao cair da noite
acreditava que vias nas minhas palavras as fotografias de ontem
enquanto brincávamos sobre as bananeiras do teu quintal…

acreditava que voavam os pássaros
como voam as palavras em versos esfomeados
distorcidos
infelizes como eu, por acreditar nos pássaros voando como nós
eu, eu acreditava.”

Francisco Fontinha
Foto de Júlia Tigeleiro


"Ouve que estranhos pássaros de noite
tenho defronte da janela
pássaros de gritos sobreagudos e selvagens
o peito cor de aurora, o bico roxo,
falam-me de noite, trazem dos abismos da noite lenta e quieta
palavras estridentes e cruéis.
Cravam no luar as suas garras
e a respiração do terror desce
das suas asas pesadas."

Sophia de Mello Breyner Andresen








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