quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

A solidão também se aprende...

Foto de Júlia Tigeleiro




A vida é generosa e exigente

"Como gosto de afirmar, mais do que as respostas que vamos obtendo na vida, são as perguntas que nos fazem caminhar e ir descobrindo mais e mais sobre quem somos, o que queremos, e qual é mesmo a nossa vocação ( leia-se propósito) aqui na terra.

A vida não é madrasta e injusta connosco. É tão generosa, como exigente, quando se trata dos anseios da nossa alma, entre os quais o desapego que precisamos conquistar para nos libertarmos de tudo o que não é essência em nós. Para que isso aconteça, é vital aceitar fazer um profundo processo de transformação. Durante o tempo necessário, (que não é o que nós queremos, mas sim o que precisamos), iniciamos um caminho normalmente solitário, que alguns descrevem como uma "espécie de travessia no deserto". Esta metáfora representa uma imagem do nosso inconsciente, para a sensação que podemos ter de estar numa árdua caminhada, onde nos sentimos cansados, perdidos e expostos a condições climatéricas adversas. Palmilhamos já dezenas de quilómetros, e a única paisagem que visualizamos foi a areia escaldante de um deserto que parece não ter fim. Como nem sequer colocamos a possibilidade de termos sido nós a fazer aquela escolha, é fácil revoltarmo-nos  com a vida, apontando o dedo ao maldito do destino, que parece mover-se na direção contrária ao que queremos, contrariando e amaldiçoando os nossos maiores desejos e expetativas.


Atravessar o deserto é atravessar a solidão. Requer rendição e coragem ao mesmo tempo.


Na verdade, a única forma de gerir esta caminhada é aceitar que ela está certa, e que nós, no tempo exato, vamos perceber o seu propósito nas nossas vidas. Resistirmos a esta travessia, só contribui para atrasar o processo, e para o " não cumprimento" do seu propósito em nós. Aprender a estar só é vital para o (re) encontro com a nossa essência. Não adianta fugir disto, pois mais cedo ou mais tarde esta é uma aprendizagem que precisamos mesmo de fazer.


Se "estamos sós" é porque ainda não sabemos estar acompanhados. A ansiedade de companhia deixa-nos ainda mais sós". - Cristina Leal

Sem comentários:

Enviar um comentário